sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Nas pegadas do Pai Rico, Pai pobre - Independência Financeira

Acho que a vida vai dando uns toques na gente. Se não percebemos, ela parte para uns empurrões mesmo. Ela fala conosco, ensina o tempo todo, mas tem uma linguagem muito sutil e nem sempre é fácil perceber suas mensagens. Li o livro Independência Financeira, de Robert T. Kiyosaki, da editora Campus. Esse livro caiu em minhas mãos por acaso. Estava numa livraria e dei de cara com ele. Eu conhecia de nome outro livro do autor, foi muito vendido no mundo e no Brasil também. Não dei atenção quando ouvi falar deste primeiro. Mas anos depois, este outro me olha e me diz " Compre-me, leia-me." Era um dia difícil para mim. Tinha faltado ao trabalho por estar afônica. Estava muito triste. Eu havia ido ao servidor público dois dias antes, reclamei da dor na garganta, do cansaço e o médico me atestou as horas e receitou um medicamento para resfriado. Resultado: dois dias depois estava totalmente sem voz. Justamente numa quinta-feira, dia  em que trabalho 12 horas. Foi por isso que recorri à consulta particular... Com as contas, nem pensar em diminuir a jornada, mas ficar com problemas nas cordas vocais não era algo que eu almejava...

Fui dar numa livraria, porque adoro livros, sem saber o que fazer da vida. Diminuir a jornada implicaria em ter menos dinheiro, mas continuar trabalhando tanto afetaria ainda mais a minha saúde. Foi quando o referido livro sorriu para mim. Era a continuação de um outro,Pai Rico, Pai Pobre, mas nem liguei. Paguei por ele com o cartão de crédito e já fui lendo no metrô  mesmo.
Cada parágrafo lido era um chacoalhão na minha alma. Eu era uma empregada que acreditava no sonho do " estudar, tirar boas notas, encontrar um emprego que remunerasse bem, com estabilidade e promessa de aposentadoria". O autor foi provando por  A + B que essa fórmula não funciona mais nos dias de hoje. Se adequada para a Era Industrial, está em franco declínio em nossos dias, época da Era da Informação. Que há muitos instruídos que estão atolados em dívidas, desempregados ou trabalhando muito. Esse perfil me pareceu muito familiar... E fui lendo e riscando e escrevendo nas margens... E pensando... Decidi naquele dia que iria ler o livro e que poria em prática as suas orientações.

De novembro para cá, algo mudou no meu jeito de ver o meu trabalho, a minha relação com o dinheiro. Nos dias que virão, pretendo relatar melhor o que tenho aprendido. Por agora, só quero lhe dizer os outros toques que a vida andou me dando: uma amiga que eu não via há um ano apareceu no meu trabalho, trazendo um livro de presente. O nome... Mente milionária. Eu já tinha um exemplar dele, até tinha começado a ler, mas o esqueci na estante. Dias depois encontro numa loja de livros usados vários livros sobre inteligência emocional, uma das leituras recomendadas pelo autor de Independência Financeira. Mas não só esse. Lá também me esperava Pai Rico, Pai Pobre.

Eu não acredito em coincidências e é por isso que me decidi a levar a sério o que ando lendo. O que irei fazer e já fiz como resultado do que aprendi eu lhe contarei depois. Por enquanto, eu  desejo...

Um ano rico para todos nós. 

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A escolha certa

 
    Quando chega o fim de anocostumamos reservar um tempo para telefonar, escrever e-mais ou mesmo visitar os amigos, a fim  de desejarmos a eles felicidades, boas festas, um bom ano novo...Qual não foi a minha surpresa ao encontrar um amigo pra lá de triste, preocupado porque o que receberia de salário não daria sequer para cobrir as contas. Ele estava condenado a passar as férias trancado em casa. Meu primeiro impulso, ao ouvi-lo elencar parte delas ( mensalidade, seguro e IPVA do carro e conta altíssima de telefone) foi oferecer-lhe pelo menos uma quantia suficiente para o pagamento da primeira parcela do seguro do carro.
   Você provavelmente deve estar me achando louca ou bobinha, mas já explico o porquê do meu gesto: somos muito amigos, quase irmãos, já seguramos a barra um do outro por diversas vezes. Por isso foi difícil vê-lo trancado em casa, esperando o pagamento para colocar  gasolina no carro...
Na véspera do pagamento ele me ligou, convidando-me para irmos às compras no dia seguinte  " Mas você não me disse que está apertado?" Eu perguntei. "Estou, mas é que preciso de umas meias, cuecas..." Fui. Além das meias e das cuecas, ele comprou um presente para um amigo, colchas para a cama, toalhas de banho, sunga. Eu olhava para ele surpresa. " Minha casa está precisando..." Ele respondia ao meu olhar interrogativo.
Após as compras dele ( eu não comprei nada e ele achou que eu não estava animada) voltamos para casa, eu decidida a não renovar a oferta. Sabe por quê? Porque compreendi que meu amigo é viciado em gastar. O salário dele (tem dois empregos) nem tem tempo de esquentar a conta, só depois de comprar isso e aquilo "porque está barato, ou porque fica bem em mim ou porque estou precisando" é que ele se dá conta de que não podia ter gastado e se põe a lamentar.
Sabe o que fiz com o meu dinheiro ( o do décimo terceiro)? quitei um parcelamento de cheque especial, que me vi obrigada a utilizar quando adoeci, há um ano. Não poderei fazer a viagem que sonhara para essas férias, mas nada perdi. Após os cálculos, descobri que pagar todas as parcelas de uma só tacada me traria uma economia de oitocentos reais a longo prazo ( a última mensalidade estava prevista para setembro de 2011). Pode não ser muito dinheiro, mas é quase a mensalidade do carro do meu amigo, comprado em 60 vezes.
Não pense que sou expert em finanças. Passei muito tempo enriquecendo os bancos. Minha casa e a lavanderia eu os construí com dinheiro emprestado. Saía e se via uma blusa bonita, uma fatia de bolo ou torta holandesa não pensava duas vezes. 'Eu mereço' era o meu argumento.
Meu despertar começou assim: estava cuidando da casa e ouvindo a CBN, quando um consultor financeiro ( não me recordo o nome) disse algo sobre termos uma reserva para emergências. "Quanto tempo você sobrevive sem salário? foi mais ou menos a pergunta que me fiz e entrei em pânico. Eu não sobreviveria um mês, teria que utilizar o limite...
Então decidi que tinha que fazer alguma coisa, que havia algo errado. Passo o maior tempo da minha existência trabalhando e para quê? Para honrar compromissos. Compreendi que não se trata penas de dinheiro, trata-se de tempo e tempo é vida. Eu não quero viver só para pagar contas.
A ironia de tudo isso é que tanto eu quanto meu amigo somos professores. E teremos de ensinar às crianças e jovens como lidar com o dinheiro. Financiamentos, poupança, seguro, aposentadoria e outros farão parte do currículo a partir de 2012 ( será obrigatório). E quem me disse isso foi esse meu amigo! Eu lhe perguntei: " Como ensinar o que não se sabe?" Só para que você tenha uma ideia, a prefeitura de São Paulo restringiu os emprétimos descontados em folha de pagamento ao Banco do Brasil. Arrisco-me a dizer que pelo menos uns 40% da rede deve ter um empréstimo ao menos. 60 vezes, 48 vezes, 24 vezes... E vão refinanciando porque o gargalo aperta...
É por isso que dedicarei esse espaço para comentar as leituras que farei sobre educação financeira. Quero aprender para cuidar melhor de mim e dos que ensino. De escravos a donos do dinheiro. Não é uma excelente meta para o ano que chega?


Feliz ano financeiro pra você.