terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Do dízimo, da caridade e da escolha de agentes públicos

Ando pensando sobre as contribuições que são feitas durante a missa. Já percebeu que as pessoas costumam pôr nos cestos moedas ou notas de valor pequeno? Não é que eu ande observando o que o outro doa, nem seria educado. Mas andei folheando um livro sobre dinheiro, escrito por pastores americanos. Eles se dedicaram a mapear na bíblia toda e qualquer passagem que se referisse a dinheiro. Foram muitas, fiquei surpreendida. Na próxima postagem que fizer prometo dizer quantas. O autor do livro diz que a ideia nasceu da constatação que ele fizera, a de que havia muitos cristãos endividados. O que ele queria com o livro é que as pessoas fossem aprendendo a lidar com dinheiro à luz dos preceitos bíblicos. Bem, uma das regras para a prosperidade, segundo a bíblia é a contribuição do dízimo.


Eu concordo. Há gastos na manutenção do prédio, na compra das velas e hóstias ( eu sou católica), na água e luz consumidos. O padre é gente, sente fome e precisa se vestir. Também acredito que há necessidade de sermos coerentes. Nosso dinheiro é repartido com várias áreas da vida: educação, vestuário, alimentação, lazer... que lugar ocupa a espiritualidade? Por que, quando se fala em dinheiro a ser doado dá-se tão pouco. Isso se chama avareza.


Os argumentos são os mesmos. Vão gastar o dinheiro com outra coisa que não a igreja. O mendigo não vai comprar comida, vai se embebedar. Todos? Porque não fiscalizamos? Por que não damos uma cesta básica para um morador de rua? Ah, ele vai vender. Será?

Por que não ajudamos uma instituição que ampara drogados em tratamento, crianças sem família, canis para cachorros abandonados? Por que somos avarentos.


E deve se dar o mesmo com as doações para a igreja. As missas de domingo e de quarta à noite na Catedral de São Miguel Arcanjo ficam lotadas. Serão todos dizimistas? Quem ganha mil, contribui com 100? Quem ganha 2000 contribui com 200? Quem ganha 3000 contribui com 300? Quantos de nós reservamos quantias semelhantes por mês para a igreja? Estamos tão acostumados a obter algo em troca quando abrimos nossas carteiras. Aprendemos a comprar.

O que o padre não faria com o dinheiro a mais que sobra... Já pensou que máximo se com o seu dinheiro ele conseguisse tirar da rua o mendigo que dorme na calçada a poucos metros da igreja de São Miguel? Ah, você paga impostos. Eu também. E não tem sido o suficiente. Tem gente dormindo na rua. Tem criança dormindo nas ruas de São Paulo. O que nós cristãos estamos esperando? Por que não usamos o nosso poder? É ano de eleição. Vasculhemos as vidas dos candidatos a prefeito e vereador. É bom que tenham participado de projetos sociais. Isso de só sair às ruas em campanhas eleitorais e inaugurações de vias e prédios não cola mais. E nada de votar no amigo da amiga No cara que quer sair da sala de aula. Ele que volte para a faculdade e aprenda outro ofício. Candidato de São Miguel tem que conhecer a história da cidade e do bairro. Se não sabem, a Fundação Tide Setubal editou um almanaque com informações sobre São Miguel. Não se cuida bem de algo que não se conhece.

Tem que cooperar com as freiras no que se refere à saúde aqui na zona leste. E que isso já esteja acontecendo. De promessas estamos cheios.

Tem que cooperar com os missionários que abrem locais para tratamentos de jovens drogados. É uma vergonha que tenham que sair vendendo sacos de lixo para bancar esses lugares. 

Sim porque já vimos pela tevê que pôr polícia em cima deles não resolve. Cadê os projetos de prevenção a drogas que têm promovido?

Por favor, mostre-nos trabalho. Há crianças e jovens drogados nas ruas. Deveríamos nos indignar. O que mais nos falta?

Não quero mais pôr notas de dois ou cinco nos cestos. Quem pouco dá é porque pouco tem e pouco merece. Não quero mais fazer parte desse grupo.  Ando me organizando financeiramente  e a cada mês aumento as  contribuições que faço. O dízimo eu o repartirei com a igreja que frequento e a Canção Nova, que me faz tão bem.

Adotei uma família e os ajudo mensalmente. Não dá mais para abrir a geladeira ou o armário mensalmente abastecidos e dormir tranquilamente sabendo que gente conhecida, e mesmo que não o fosse, passa fome.

Que  cristãos somos nós?

E pretendo reservar tempo para pesquisar sobre os que se candidatarão. Eu preciso fazer algo. Do jeito que está me faz mal. E a você?
















segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Emprestar ou não emprestar?


Esta lição eu ainda não aprendi e pra ser honesta, creio que só se pode dizer que uma lição foi aprendida quando a exercitamos na prática, quando o dito ( e no nosso caso escrito) deixa de ser um simples discurso. Vamos dizer que eu estou despertando para a tomada de decisão sobre um problema recorrente.


Os seus familiares e amigos não devem ser muito diferentes dos meus. Há os considerados bem sucedidos, não porque nadem em dinheiro, andem em carros importados ou façam viagens para o exterior, mas porque têm uma renda fixa e são profissionais com estabilidade no emprego.

É a ele ou a ela que um familiar ou amigo em apuros financeiros recorre.

Dependendo do problema (criança passando fome, ameaça de corte de água, gás ou luz) e se eu tiver o dinheiro, ajudo. Eu via este gesto como caridade.


Já me aconteceu de alguém precisar de ajuda para limpar o nome. Não era uma quantia relevante e ele estava em processo de seleção de emprego. Temia que a restrição pudesse eliminar suas chances. “Como pode alguém saldar suas dívidas se não estiver trabalhando?”Eu me perguntava.

Mas há casos, cheguei à conclusão, que devo aprender a dizer não. O sim pode mascarar dois problemas: o meu, que ficava sempre na dúvida e até então não tinha claro qual o comportamento a seguir e em que situações. Eu confundia empréstimo com caridade e solidariedade.

O do outro: que nunca dedica tempo para analisar o que pensa sobre o dinheiro e como se relaciona com ele. Emprestar a alguém que está sempre endividado, que demora a pagar ou nem paga não contribui em nada com o amadurecimento da pessoa, no que se refere às finanças.

Estou me referindo ao empréstimo entre conhecidos e não o praticado por bancos e empresas de crédito que visam o lucro.

Acho até que se um amigo ou familiar pedir juros vai fazer com que o outro se obrigue a repensar saídas. Mas isso pode fragilizar a relação. Quem pede pode ficar magoado e acabar se afastando. Por outro lado, se isso acontecer é porque o outro não nos estima tanto assim. Com o custo de vida e a quantidade de impostos que temos, alguém mediano que consiga ter reservas é porque trabalha muito e poupa, abre mão de certos prazeres. Eu nem sei se teria coragem de pedir um empréstimo a alguém que trabalhe 60 horas por dia, sendo eu uma adepta das 30 ou 40 horas semanais. Eu teria vergonha e em caso de necessidade, procuraria um banco.

 Um pensamento me veio à mente agora: se pagamos juros ao banco, cujos donos nem conhecemos, por que não o faríamos para alguém conhecido?

 Amigos visam à qualidade e a permanência da relação, bem como o bem estar de quem ama. É difícil deixar quem se ama na mão. Mas também não podemos nos prejudicar pelo outro. O lema que quero aprender a pôr em prática é Ajudar segundo minhas posses.

Podemos ajudar os endividados de outro modo que não com dinheiro: presenteando-os com livros ou cursos que versem sobre educação financeira. A sociedade nos ensina a gastar, mas aquele que nos ama ensina a como, em que e quando gastar.



domingo, 19 de fevereiro de 2012

As lições de janeiro





Decidi aproveitar o período livre para instalar um portão maior em casa. Pesquisei preço de portão, de material e da mão de obra. Vi que o que eu tinha reservado para a tarefa . Iniciei a reforma.

Não deu. A toda hora era algo que precisava ser comprado: o muro antigo precisou de mais colunas, restauro e ampliação vertical para sustentar o portão novo. Quando dei por mim já tinha gasto 50% a mais do que previra. Quando terminada a obra respirei aliviada enquanto a família vibrava. E compreendi porque, quando eu era criança, os adultos de minha casa não ficavam tão felizes quanto nós crianças ao adquirirmos algo novo e caro.


Aprendi que é preciso ter duas ou três vezes mais do que o necessário para adquirirmos algo muito desejado. É preferível ao endividamento ou ao término das reservas financeiras. Não podemos mais continuar gastando tudo o que temos, tudo o que ganhamos. Isso implica em usufruir menos do que foi obtido porque vem a preocupação com as contas.

Verdade que em se tratando de um carro ou uma casa a estratégia deve ser outra. Creio que primeiro seria preciso reunir uma boas soma para entrada, Depois a pesquisa de financiamentos mais vantajosos (no que se refere a juros) ou que possibilite o pagamento de duas ou mais parcelas por vez. Obteríamos o bem e nos livraríamos das dívidas em menos tempo. E Teríamos tempo, energia e recursos para um novo empreendimento.


Para tanto, é fundamental aprendermos a esperar. A guardar dinheiro e até a trabalhar mais por uns tempos que seja para então poder comprarmos o que desejamos ou necessitamos. Ou estudar. Maior e melhor formação sempre implicam em aumento dos ganhos.