Ando pensando sobre as contribuições que são feitas durante a missa. Já percebeu que as pessoas costumam pôr nos cestos moedas ou notas de valor pequeno? Não é que eu ande observando o que o outro doa, nem seria educado. Mas andei folheando um livro sobre dinheiro, escrito por pastores americanos. Eles se dedicaram a mapear na bíblia toda e qualquer passagem que se referisse a dinheiro. Foram muitas, fiquei surpreendida. Na próxima postagem que fizer prometo dizer quantas. O autor do livro diz que a ideia nasceu da constatação que ele fizera, a de que havia muitos cristãos endividados. O que ele queria com o livro é que as pessoas fossem aprendendo a lidar com dinheiro à luz dos preceitos bíblicos. Bem, uma das regras para a prosperidade, segundo a bíblia é a contribuição do dízimo.
Eu concordo. Há gastos na manutenção do prédio, na compra das velas e hóstias ( eu sou católica), na água e luz consumidos. O padre é gente, sente fome e precisa se vestir. Também acredito que há necessidade de sermos coerentes. Nosso dinheiro é repartido com várias áreas da vida: educação, vestuário, alimentação, lazer... que lugar ocupa a espiritualidade? Por que, quando se fala em dinheiro a ser doado dá-se tão pouco. Isso se chama avareza.
Os argumentos são os mesmos. Vão gastar o dinheiro com outra coisa que não a igreja. O mendigo não vai comprar comida, vai se embebedar. Todos? Porque não fiscalizamos? Por que não damos uma cesta básica para um morador de rua? Ah, ele vai vender. Será?
Por que não ajudamos uma instituição que ampara drogados em tratamento, crianças sem família, canis para cachorros abandonados? Por que somos avarentos.
E deve se dar o mesmo com as doações para a igreja. As missas de domingo e de quarta à noite na Catedral de São Miguel Arcanjo ficam lotadas. Serão todos dizimistas? Quem ganha mil, contribui com 100? Quem ganha 2000 contribui com 200? Quem ganha 3000 contribui com 300? Quantos de nós reservamos quantias semelhantes por mês para a igreja? Estamos tão acostumados a obter algo em troca quando abrimos nossas carteiras. Aprendemos a comprar.
O que o padre não faria com o dinheiro a mais que sobra... Já pensou que máximo se com o seu dinheiro ele conseguisse tirar da rua o mendigo que dorme na calçada a poucos metros da igreja de São Miguel? Ah, você paga impostos. Eu também. E não tem sido o suficiente. Tem gente dormindo na rua. Tem criança dormindo nas ruas de São Paulo. O que nós cristãos estamos esperando? Por que não usamos o nosso poder? É ano de eleição. Vasculhemos as vidas dos candidatos a prefeito e vereador. É bom que tenham participado de projetos sociais. Isso de só sair às ruas em campanhas eleitorais e inaugurações de vias e prédios não cola mais. E nada de votar no amigo da amiga No cara que quer sair da sala de aula. Ele que volte para a faculdade e aprenda outro ofício. Candidato de São Miguel tem que conhecer a história da cidade e do bairro. Se não sabem, a Fundação Tide Setubal editou um almanaque com informações sobre São Miguel. Não se cuida bem de algo que não se conhece.
Tem que cooperar com as freiras no que se refere à saúde aqui na zona leste. E que isso já esteja acontecendo. De promessas estamos cheios.
Tem que cooperar com os missionários que abrem locais para tratamentos de jovens drogados. É uma vergonha que tenham que sair vendendo sacos de lixo para bancar esses lugares.
Sim porque já vimos pela tevê que pôr polícia em cima deles não resolve. Cadê os projetos de prevenção a drogas que têm promovido?
Por favor, mostre-nos trabalho. Há crianças e jovens drogados nas ruas. Deveríamos nos indignar. O que mais nos falta?
Não quero mais pôr notas de dois ou cinco nos cestos. Quem pouco dá é porque pouco tem e pouco merece. Não quero mais fazer parte desse grupo. Ando me organizando financeiramente e a cada mês aumento as contribuições que faço. O dízimo eu o repartirei com a igreja que frequento e a Canção Nova, que me faz tão bem.
Adotei uma família e os ajudo mensalmente. Não dá mais para abrir a geladeira ou o armário mensalmente abastecidos e dormir tranquilamente sabendo que gente conhecida, e mesmo que não o fosse, passa fome.
Que cristãos somos nós?
E pretendo reservar tempo para pesquisar sobre os que se candidatarão. Eu preciso fazer algo. Do jeito que está me faz mal. E a você?