segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Emprestar ou não emprestar?


Esta lição eu ainda não aprendi e pra ser honesta, creio que só se pode dizer que uma lição foi aprendida quando a exercitamos na prática, quando o dito ( e no nosso caso escrito) deixa de ser um simples discurso. Vamos dizer que eu estou despertando para a tomada de decisão sobre um problema recorrente.


Os seus familiares e amigos não devem ser muito diferentes dos meus. Há os considerados bem sucedidos, não porque nadem em dinheiro, andem em carros importados ou façam viagens para o exterior, mas porque têm uma renda fixa e são profissionais com estabilidade no emprego.

É a ele ou a ela que um familiar ou amigo em apuros financeiros recorre.

Dependendo do problema (criança passando fome, ameaça de corte de água, gás ou luz) e se eu tiver o dinheiro, ajudo. Eu via este gesto como caridade.


Já me aconteceu de alguém precisar de ajuda para limpar o nome. Não era uma quantia relevante e ele estava em processo de seleção de emprego. Temia que a restrição pudesse eliminar suas chances. “Como pode alguém saldar suas dívidas se não estiver trabalhando?”Eu me perguntava.

Mas há casos, cheguei à conclusão, que devo aprender a dizer não. O sim pode mascarar dois problemas: o meu, que ficava sempre na dúvida e até então não tinha claro qual o comportamento a seguir e em que situações. Eu confundia empréstimo com caridade e solidariedade.

O do outro: que nunca dedica tempo para analisar o que pensa sobre o dinheiro e como se relaciona com ele. Emprestar a alguém que está sempre endividado, que demora a pagar ou nem paga não contribui em nada com o amadurecimento da pessoa, no que se refere às finanças.

Estou me referindo ao empréstimo entre conhecidos e não o praticado por bancos e empresas de crédito que visam o lucro.

Acho até que se um amigo ou familiar pedir juros vai fazer com que o outro se obrigue a repensar saídas. Mas isso pode fragilizar a relação. Quem pede pode ficar magoado e acabar se afastando. Por outro lado, se isso acontecer é porque o outro não nos estima tanto assim. Com o custo de vida e a quantidade de impostos que temos, alguém mediano que consiga ter reservas é porque trabalha muito e poupa, abre mão de certos prazeres. Eu nem sei se teria coragem de pedir um empréstimo a alguém que trabalhe 60 horas por dia, sendo eu uma adepta das 30 ou 40 horas semanais. Eu teria vergonha e em caso de necessidade, procuraria um banco.

 Um pensamento me veio à mente agora: se pagamos juros ao banco, cujos donos nem conhecemos, por que não o faríamos para alguém conhecido?

 Amigos visam à qualidade e a permanência da relação, bem como o bem estar de quem ama. É difícil deixar quem se ama na mão. Mas também não podemos nos prejudicar pelo outro. O lema que quero aprender a pôr em prática é Ajudar segundo minhas posses.

Podemos ajudar os endividados de outro modo que não com dinheiro: presenteando-os com livros ou cursos que versem sobre educação financeira. A sociedade nos ensina a gastar, mas aquele que nos ama ensina a como, em que e quando gastar.



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