Esta lição eu
ainda não aprendi e pra ser honesta, creio que só se pode dizer que uma
lição foi aprendida quando a exercitamos na prática, quando o dito ( e no nosso
caso escrito) deixa de ser um simples discurso. Vamos dizer que eu estou
despertando para a tomada de decisão sobre um problema recorrente.
Os seus familiares
e amigos não devem ser muito diferentes dos meus. Há os considerados bem
sucedidos, não porque nadem em dinheiro, andem em carros importados ou façam
viagens para o exterior, mas porque têm uma renda fixa e são profissionais com
estabilidade no emprego.
É a ele ou a
ela que um familiar ou amigo em apuros financeiros recorre.
Dependendo do
problema (criança passando fome, ameaça de corte de água, gás ou luz) e se eu
tiver o dinheiro, ajudo. Eu via este gesto como caridade.
Já me
aconteceu de alguém precisar de ajuda para limpar o nome. Não era uma quantia
relevante e ele estava em processo de seleção de emprego. Temia que a restrição
pudesse eliminar suas chances. “Como pode alguém saldar suas dívidas se não
estiver trabalhando?”Eu me perguntava.
Mas há casos,
cheguei à conclusão, que devo aprender a dizer não. O sim pode mascarar dois
problemas: o meu, que ficava sempre na dúvida e até então não tinha claro qual
o comportamento a seguir e em que situações. Eu confundia empréstimo com
caridade e solidariedade.
O do outro:
que nunca dedica tempo para analisar o que pensa sobre o dinheiro e como se
relaciona com ele. Emprestar a alguém que está sempre endividado, que demora a
pagar ou nem paga não contribui em nada com o amadurecimento da pessoa, no que
se refere às finanças.
Estou me
referindo ao empréstimo entre conhecidos e não o praticado por bancos e
empresas de crédito que visam o lucro.
Acho até que
se um amigo ou familiar pedir juros vai fazer com que o outro se obrigue a
repensar saídas. Mas isso pode fragilizar a relação. Quem pede pode ficar
magoado e acabar se afastando. Por outro lado, se isso acontecer é porque o
outro não nos estima tanto assim. Com o custo de vida e a quantidade de
impostos que temos, alguém mediano que consiga ter reservas é porque trabalha
muito e poupa, abre mão de certos prazeres. Eu nem sei se teria coragem de
pedir um empréstimo a alguém que trabalhe 60 horas por dia, sendo eu uma adepta
das 30 ou 40 horas semanais. Eu teria vergonha e em caso de necessidade,
procuraria um banco.
Um pensamento me veio à mente agora: se
pagamos juros ao banco, cujos donos nem conhecemos, por que não o faríamos para
alguém conhecido?
Amigos visam à qualidade e a permanência da
relação, bem como o bem estar de quem ama. É difícil deixar quem se ama na mão.
Mas também não podemos nos prejudicar pelo outro. O lema que quero aprender a
pôr em prática é Ajudar segundo minhas posses.
Podemos
ajudar os endividados de outro modo que não com dinheiro: presenteando-os com
livros ou cursos que versem sobre educação financeira. A sociedade nos ensina a
gastar, mas aquele que nos ama ensina a como, em que e quando gastar.
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